O demônio do meio dia
Nessa época de semi-automação, quando não apenas os militares, mas os operários tem pouco a fazer além de prestar atenção constante a instrumentos, o problema do comportamento humano em situações monótonas se tornou agudo. Em 1951, o psicólogo Donald O. Hebb, da Universidade McGill, recebeu uma doação do conselho de pesquisa em Defesa do Canadá para realizar um estudo sistemático. Hebb connstatou que a exposição prolongada a um ambiente monótono tem definitivamente efeitos nocivos. O pensamento do indivíduo é comprometido, ele apresenta respostas emocionais infantis, sua percepção visual se torna distorcida e seu padrão de ondas cerebrais é modificado.
- Revista Scientific American, Janeiro de 1957

Mafalda de Quino
Na modernidade o tédio (monotonia que pode converter-se em apatia, letargia, inércia e indiferença) é cada vez mais comum. A vida diária torna-se maçante e voltar a labuta após um final de semana pode ser massacrante. Para o falecido guru espiritual, Osho, o tédio (uma capacidade unicamente humana, os animais não podem sentir tédio, e portanto também não podem atingir o nirvana) é o polo oposto da iluminação. O tédio é a primeira indicação de que uma grande compreensão está surgindo em você, sobre a futilidade, a insignificância, da vida e de seus caminhos”. A maioria das pessoas foge do tédio buscando distrações: Você liga a TV, fica horas na internet, lê, procura alguém com quem conversar, busca o sexo, a bebida, a esbórnia. Tudo para não encarar de frente o oco, o vazio natural do ser humano. O que não sabemos é que o ser humano adapta-se rapidamente a qualquer coisa, mesmo que sua vida seja repleta de acontecimentos, em um momento você se acostamará e o tédio fatalmente aparecerá. Nos entediamos com o trabalho, com as pessoas queridas e até com a nossa própria voz e pensamentos.
Bertrand Russel foi um filósofo que viveu entre 1872 e 1970, disse “Uma geração que não consegue suportar o tédio será uma geração de homens menores”.
O que fazer então para lidar com isso? Não fomos ensinados pela escola, pelos pais e talvez nem pela nossa própria religião a lidar com isso. O tédio é um sinal de que a nossa alma está pobre ou mal alimentada, e não conhecemos nada a respeito de nós mesmos para tomar uma atitude eficiente. Talvez a atitude mais acertada seja: Não fazer nada, ficar em silêncio, ter paciência. Não agir é uma arte que foi soterrada pela necessidade de urgência, pelo bombardeio midiático constante, pela necessidade atroz de nos mantermos bem informados, de nos mantermos ativos. Não fazer nada é uma arte nos dias de hoje.
Não é a internet, a televisão, o papo furado, o sexo, as festas, a bebedeira que vão extinguir seu tédio. O tédio, na adolescência, por exemplo, é uma passagem necessária. Os pré adolescentes sentem-se apáticos e distanciam-se de tudo. Não sentem mais graça no que faziam antes. Com isso distanciam-se de seus interesses infantis e amadurecem para novas coisas.

O tédio da modernidade é perceber a passagem do tempo quando gostamos de ver a vida voar. Da próxima vez que sentir tédio, entenda como uma oportunidade de agarrar o tempo, de exercitar a paciência de parar de rodar como um tonto.



ACHEI MUITO INTERESSANTE ESSA MAT´RIA QUE CONTINUE COM MATÉRIAS DESSE TEOR ..ABRAÇO
muito bom! bem interessante, e realmente é incontrolavel, todo mundo tem esse tédio no meio dia, ou pós almoço! parabéns
Uma materia interessante encomberta por um texto muito bem escrito, excelente! Parabens pelo post.
ótima avaliação…
para quem gosta desses assuntos e busca mais informações, vai uma dica…
assistam um programa chamado: Café Filosófico
passa toda sexta às 22horas, se não me engano com reprise no domingo na tv cultura