Caros amigos,
Amo o wordpress. É uma ferramenta de blogar excelente, mas preciso mudar por uma necessidade. Quero começar a fazer umas pratinhas com meu blog (nada melhor do que fazer dinheiro trabalhando com algo que você faria de graça), e o wordpress não incorpora os códigos do google adsense (isso não significa muito para você né?), por isso, estou voltando para o Blogger no meu antigo endereço.
Anote aí:
Os poetas viajam até o próximo círculo, onde os demônios não são capazes de segui-los e o poder divino, que lhes dá controle sobre o próprio círculo, não permitira que eles partam.
Uma pérola. O expressivo Tom Waits ( compositor, ator) não traz sua voz de trovão nessa música, apenas dedilha a guitarra.
O vocal enfático em forma de discusso é do escritor, crítico social e orador, William Burroughs.
O rock pesado, ao estilo anos 70 e as imagens são bem características da época em que o cinema estava apenas nascendo. São demônios transladando, voando, e uma garota inocente passeia nos vales de piche: O fantástico inferno Vintage.
Assista.
A dança é um direito universal, quase uma obrigação quando se está demasiadamente feliz. A dança é a expressão física do contentamento. Cada um dança como quer, como pode, como consegue.
Por isso, em homenagem a dança, fiz esta seleção de videos. Basta dar play e assistir a playlist. São 80 videos curtinhos e seguidos com todo tipo de pessoas dançando das mais variadas formas. Quando um video acaba o outro começa automaticamente e você pode pular quando não tiver paciência de assistir um video inteiro.
De play e divirta-se. A maioria dos videos são engraçadissimos, outros nem tanto, mas são todos interessantes.
CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR: http://tinyurl.com/mfp5vg
A vida é curta, dance.
Dançarinos são os poetas do gesto
- George BalanchineA dança é a escultura em movimento
- Walter SorellDança é música feita visível
- George BalanchineDança é uma tentativa tosca de entrar no ritmo da vida
- George Bernard ShawEu só acreditaria num deus que soubesse dançar
- Nietzsche
Uma história de amor contada de uma forma completamente diferente das que estamos acostumados a ver. Casados há 10 anos, Port Moresby (John Malkovich) e Kit Moresby (Debra Winger) passam por uma crise conjugal. Vivem no mundo, sem destino específico ou data para voltar. Como alerta a narração em off, realizada por Paul Bowles, autor do livro que deu origem ao roteiro: “o casal cometeu o erro de guerrear contra o tempo”. Apesar da aparição da voz do escritor em alguns momentos do filme, o diretor Bernardo Bertolucci, não comete o pecado fundamental de aceitar o caminho fácil, narrando uma história literária de maneira literal. O céu que nos protege é um filme essencialmente cinematográfico.
O casal de americanos manteve o estilo de vida dos pássaros, sem lar, viajando sem propósito, sem chão ou família constituída, uma vida errante e extraordinária. George Tunner (Campbell Scott), é um convidado impertinente do casal na viagem, e percebe uma crise entre Port e Kit, aproveitando-se para chegar perto de Kit. Enquanto isso Port Moresby já se jogou no mundo, afoito por vivenciar uma experiência mais profunda do que o mero “turismo”, ele adentra nas ruas da cidade levado por um nativo. Port mostra que sabe o que está fazendo quando adentra na tenda de uma prostituta. Ela tenta rouba-lo e ele “rouba” de volta a própria carteira sem que ela perceba. Port, mostra-se assim, um homem escolado, experiente nos perigos e mistérios das terras estrangeiras.
Conforme prossegue a trama o casal distancia-se mais e mais, chegando ao ponto da total distanciação, quando viajam separados. Cada um em sua odisséia humana individual.
“Mesmo sem saber que sabe”, Port desconfia que seu convidado, George Tunner, está interferindo na relação conjugal com Kit, e realmente está. George não os deixa um minuto a sós e atrapalha todos os momentos íntimos do casal.
George segue para uma viagem solitária, muito provavelmente contra a própria vontade. Port usa esse tempo para ficar a sós com sua esposa, para conhecê-la novamente e compreender mais uma vez o poder do companheirismo, desgastado pelo tempo de convivência, pela rotina, pelo peso dos anos. Cobertos sob o imenso sol do deserto inóspito, experimentam o mesmo amor que os uniu. Dizem que no amor estamos completamente desprotegidos e expostos, Port e Kit estão protegidos, dessa vez, pelo elo espiritual que ainda existe entre os dois. Este momento de calmaria é apenas o prelúdio para a tempestade prestes a chegar. Um acontecimento fatal e inesperado muda totalmente a vida de Kit, transformando não apenas a história, mas a forma de se contar a história. O diretor Bernardo Bertolluci e sua equipe de filmagem cometem uma façanha cinematográfica, gravam cenas incríveis dentro do mais profundo e rebelde deserto, sob cenários enormes, e sobre muros de verdade, pessoas estrangeiras, outra língua, trepassam todas as dificuldades de se filmar longe de um estúdio, em um país estrangeiro, e conseguem um resultado belíssimo.
Kit é jogada em um mundo desconhecido e se vê perdida no sol escandante, na árida poeira. Não há mais intimidade, não há nada reconhecível, há apenas uma vida exótica que poderá trazer o riso de volta ao seu rosto, mas não será o suficiente. Kit perdeu algo perturbadoramente essencial em sua vida, o amor de Port. Ela está perdida para sempre. Mesmo depois de resgatada, não se encontra mais nem quando está de volta ao local de onde veio. Está destinada a ser uma viajante.
O Céu Que Nos Protege (The Sheltering sky, 138 min), de Bernardo Bertolucci
“A palavra documentário, usada para nomear um domínio específico do cinema, começou a se estabelecer no final dos anos 1920 e início dos anos 1930, sobretudo com a escola documental inglesa, embora já figurasse antes em um ou outro texto. Ela traz marcas da significação, surgida na segunda metade do século XIX no campo das ciências humanas, para designar um conjunto de documentos com a consistência de “prova” a respeito de uma época. Possui, desse modo, uma forte conotação representacional, ou seja, o sentido de um documentário histórico que se quer veraz, comprobatório daquilo que “de fato” ocorreu num tempo e espaço dados. Aplicada ao cinema por razões pragmáticas de mobilização de verbas, ela desde então disputou com a palavra ficção essa prerrogativa de representação da realidade e, conseguinte, de revelação da verdade.” ( História do cinema mundial, organizado por Fernando Mascarello, 2º edição, 2006, papirus editora, pg 253)
Junto com o nascimento do cinema, surgia também o documentário. Quando os irmãos Lumière exibiam cenas do cotidiano, retratavam a época em caráter completamente experimental. Mesmo que de forma despretensiosa, estavam registrando e documentando o dia a dia de seu tempo.
Em 1913 o explorador Robert Flaherty foi convencido por seu contratante a registrar sua expedição com uma câmera. O resultado foi o filme Nanook of the North (1922), sobre a história
de uma famílis de esquimós. O longa mantinha uma linha narrativa e estética que não podia ser enquadrada na categoria ficção, Nanook foi considerado um protótipo do filme documental.
“O americano Robert Flaherty, com o seu Nanook, o esquimó, de 1922, resultado de um trabalho que vinha de bem antes, lançou as bases de um método que surgia simultaneamente no campo da antropologia: o da observação participante. Ele propunha uma estadia longa em campo, num contato direto e interativo com seus personagens reais, do qual surgia o “tema nativo”, que era o objeto do filme.
Posteriormente o escocês John Grierson fundou uma escola documentarista para formalizar e normatizar o gênero. Criou a definição da estética do documentário clássico: O documentário clássico pode ser resumido nas seguintes características estruturais: imagens rigorosamente compostas, fusão de música e ruídos, montagem rítmica e comentário em voz off despersonalizada. Sua função era primariamente educativa e social, com objetivo de formar a opinião pública.
De acordo com o pesquisador ensaísta Fernão Ramos:
O documentário, ao contrário da ficção, estabelece asserções ou proposições sobre o mundo histórico. São duas tradições narrativas distintas, embora muitas vezes se misturem. Diferenças entre documentário e ficção não são da mesma espécie que existem entre répteis e mamíferos, não se pode estabelecer uma morfologia do documentário com a mesma metodologia que cerca, por exemplo, definições das ciências naturais. Lidar com o horizonte da liberdade criativa de seres humanos, e uma época que estimula experiências extremas e desconfia de definições. Alguns traços estruturais da tradição narrativa tem repetição de conjuntos, mais ou menos homogêneos . O nome documentário designa um conjunto de obras que possuem algumas características singulares e estáveis que as diferenciam do conjunto de filmes ficcionais. Mas qual é a diferença entre documentário e ficção?”.(RAMOS, Fernão. 2003, p.22)
“Para além do requisitório de recusa da ficção, que acabou por dar ao cinema de realidade, ou documentário clássico, um discutível sentido de organicidade e unidade, desde muito cedo, duas preocupações nele se mesclaram e, ao mesmo tempo, subdividiram-no em dois pólos: um, que era propriamente o do documentário ou etnográfico e outro, o da investigação ou reportagem. Com métodos diferentes de abordagem da realidade, seus propósitos eram “ora fazer ver objetivamente meios, situações e personagens reais, ora mostrar subjetivamente as maneiras de ver dos próprios personagens, a maneira pela qual eles viam sua situação, seu meio, seus problemas.”(RAMOS, Fernão. 2003, p.22)
Enquanto isso, na extinta União Soviética de 1918, Lenin discursa sobre o cinema, apontando-o como principal meio de divulgação da Nova Ordem Social que se instalava na União Soviética. Denis Arkadievitch Kaufman, que quando jovem mudou seu nome para Dziga Vertov (Roda que gira sem cessar), coloca-se a disposição do comitê de Cinema de Moscow. Em 1922 forma o conselho dos três, ao lado de sua mulher e seu irmão, e passa a trabalhar no Kinopravda. Em 1923, inspirado pela arte futurista, Vertov publica seu primeiro manifesto teórico, no qual exaltava a revolução do cinema, a morte de tudo o que já foi feito como o cinema psicológico e o cinema baseado em pantomimas e exalta a existência exata e mecânica das maquinas e da tecnologia como objeto de observação em seus filmes, em contraposto a “bagunça orgânica” e atrapalhada dos seres-humanos, na desordem diária da vida cotidiana. Vertov cria um nome para suas práticas, o Cine-olho.
O brasileiro Alberto Cavalcanti trabalhou como cenógrafo, diretor, montador, produtor e na gravação do som durante a década de 1920, com as vanguardas francesas e nas décadas de 1930 e 1940 no documentarismo inglês, tendo trabalhado ao lado do próprio Grierson.
Com o filme Rien que lês heures (1926) (do qual Cavalcanti participou), sobre o cotidiano urbano parisiense, inaugurou um tipo de documentário voltado para o próprio entorno do cineasta, uma espécie de antropocinematografia de estranhamento do familiar/próximo, que antecipava inúmeras “sinfonias da cidade” que o documentário constituiria em seguida nos mais diferentes recantos do mundo. Essa experiência teria continuidade oito anos depois, em sua estréia inglesa, no âmbito da proposta griersoniana de documentário socioeducacional, com o curta-metragem Pett and pott (1934), sobre as vantagens civilizatórias do uso do telefone doméstico.
Após toda essa experiência, Cavalcanti pôs em prática suas pesquisas a respeito da importância do som ambiente, segundo ele, mais importante que o uso da palavra, que devia ser minimizado. O cineasta classificou seu curta metragen Pett and Pott (1934) como “uma simples lição sobre o som”.
No Brasil, a visibilidade do documentário começa a despontar no final da década de 1990. O público e a crítica têm, cada vez mais, voltado a atenção para este tipo de cinema. Em 1999 três filmes se destacam: Nós que aqui estamos por vós esperamos, de Marcelo Masagão, com quase 59 mil espectadores; Santo Forte, de Eduardo Coutinho, com 19 mil espectadores e Notícias de uma guerra particular, de João Sales e Kátia Lund, exibido em vários festivais e canais de televisão como a Globosat.
Da esquerda para a direita: Nós que aqui estamos por vós esperamos, Santo Forte e Notícias de uma guerra particular
“São filmes esteticamente distintos que expõem maneiras diversas de abordar temas e personagens. Cada um deles evidencia de modo particular e emblemático, questões que perpassam toda produção documental. O quadro sem dúvida é rico e promissor (…) Diferente do cinema brasileiro de ficção (sobretudo em longa-metragem), a produção documental não “sucumbiu” à crise que marcou a passagem dos anos 80 para os 90, com a extinção da Embrafilme, estatal produtora e distribuidora de cinema, pelo governo Collor de Mello. “Na trilha iniciada nos anos 80, seguiu seu destino de gênero “menor”: realizado sobretudo em vídeo, manteve fortes ligações com os movimentos sociasi que surgiram ou reconquistara espaço com a redemocratização do país, restrito a pouca visibilidade fora do circuito de festivais, associações, sindicatos e TVs comunitárias. A situação se modifica razoavelmente a partir da “retomada” do cinema brasileiro”.
De acordo com a Filme B, no início da década de 1990 o cinema brasileiro de longa-metragem quase desapareceu. Apenas três filmes nacionais foram exibidos nas salas de cinema em 1922 e seu público correspondeu a 0,05% do total de espectadores de cinema naquele ano no Brasil. A “retomada” a produção do cinema nacional ocorreu a partir de meados de 1990 (longa metragem em sua maioria), e ganhou nova força por conta das leis de incentivo que entraram em vigor no mesmo período.
Com a chegada do aparato digital e das ilhas de montagem não lineares, vantagens técnicas e econômicas permitiram que tanto os cineastas consolidados, como os jovens, pudessem realizar filmes com custos relativamente baixos. As leis que beneficiam a produção audiovisual, apesar de complexas e o burocrático sistema de funcionamento, estimularam a produção. Editais de fomento a cultura e prêmios visando a produção de documentário, tanto realizados por empresas privadas quanto por empresas públicas, acelerou e facilitou a produção de ficção e de documentário.
As políticas de exibição, no entanto, não prevê recursos para distribuição dos filmes, o que significa que grande parte do cinema produzido ultrapassa 20 mil expectadores e a maioria dos filmes não chega ao circuito comercial das salas de cinema. Segundo a Filme B, em 2005 haviam 34 longas documentais brasileiros finalizados, destes, apenas 14 tinham distribuidora definida.
Em 2007 o documentário foi o segundo “gênero” com maior número de lançamentos no mercado brasileiro (superando a comédia, animação, aventura e ação). Filmes como Cartola – a música para os olhos, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerta; Pro dia nascer Feliz, de João Jardim; e Santiago, de João Salles, tiveram mais de 50 mil expectadores. O filme Janela da alma (2002), de Walter Carvalho e João Jardim, foi um caso singular em termos de mercado, o público foi cerca de 130 mil expectadores, com quatro cópias em cartaz, durante 26 semanas. Vinícius (2005), de Miguel Farias é o recordista da retomada, contabilizou 270 mil espectadores no cinema.
Este é um trecho do filme O homem do rio (Itália, França, Brasil, 1964, 110 min), de Philippe de Broca.
O ator que vocês veem, é Jean-Paul Belmondo, ícone sexual da época, ficou muito famoso por atuar em um dos filmes que marcou o período da Nouvelle Vague, O Acossado, também do mesmo diretor. O homem do Rio é um filme sobre o roubo de uma relíquia que desemboca em uma perseguição internacional suja, com morte e sequestro. O protagonista atravessa a cidade correndo, sobe em um prédio do setor bancário norte e depois foge de seus algozes montado em uma bicicleta.
O interessante da obra, além de sua importância para o cinema, é o fato de que o filme foi realizado em Brasília 4 anos após sua inauguração. A cidade estava vazia, vários locais onde hoje estão repletos de trânsito, de gente e de edifícios, são mostrados, naquele período, como pura poeira, sem uma alma viva passando por alí. O centro do poder desabitado. Para não dizer que estava completamente vazio, eu contei um carro passando pela paisagem, e certamente deveria ser algum carro oficial, ou coisa do tipo. Em 1964 Brasília era um deserto, o país sofria o primeiro ano do golpe da ditadura militar. A primeira universidade de Brasília (UnB) , projeto de Lúcio Costa, Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, foi praticamente interrompida quando 16 professores foram expulsos, e em solidariedade (e também como protesto político) 223 professores demitiram-se. Um momento único na história de Brasília.
Nessa época de semi-automação, quando não apenas os militares, mas os operários tem pouco a fazer além de prestar atenção constante a instrumentos, o problema do comportamento humano em situações monótonas se tornou agudo. Em 1951, o psicólogo Donald O. Hebb, da Universidade McGill, recebeu uma doação do conselho de pesquisa em Defesa do Canadá para realizar um estudo sistemático. Hebb connstatou que a exposição prolongada a um ambiente monótono tem definitivamente efeitos nocivos. O pensamento do indivíduo é comprometido, ele apresenta respostas emocionais infantis, sua percepção visual se torna distorcida e seu padrão de ondas cerebrais é modificado.
- Revista Scientific American, Janeiro de 1957

Mafalda de Quino
Na modernidade o tédio (monotonia que pode converter-se em apatia, letargia, inércia e indiferença) é cada vez mais comum. A vida diária torna-se maçante e voltar a labuta após um final de semana pode ser massacrante. Para o falecido guru espiritual, Osho, o tédio (uma capacidade unicamente humana, os animais não podem sentir tédio, e portanto também não podem atingir o nirvana) é o polo oposto da iluminação. O tédio é a primeira indicação de que uma grande compreensão está surgindo em você, sobre a futilidade, a insignificância, da vida e de seus caminhos”. A maioria das pessoas foge do tédio buscando distrações: Você liga a TV, fica horas na internet, lê, procura alguém com quem conversar, busca o sexo, a bebida, a esbórnia. Tudo para não encarar de frente o oco, o vazio natural do ser humano. O que não sabemos é que o ser humano adapta-se rapidamente a qualquer coisa, mesmo que sua vida seja repleta de acontecimentos, em um momento você se acostamará e o tédio fatalmente aparecerá. Nos entediamos com o trabalho, com as pessoas queridas e até com a nossa própria voz e pensamentos.
Bertrand Russel foi um filósofo que viveu entre 1872 e 1970, disse “Uma geração que não consegue suportar o tédio será uma geração de homens menores”.
O que fazer então para lidar com isso? Não fomos ensinados pela escola, pelos pais e talvez nem pela nossa própria religião a lidar com isso. O tédio é um sinal de que a nossa alma está pobre ou mal alimentada, e não conhecemos nada a respeito de nós mesmos para tomar uma atitude eficiente. Talvez a atitude mais acertada seja: Não fazer nada, ficar em silêncio, ter paciência. Não agir é uma arte que foi soterrada pela necessidade de urgência, pelo bombardeio midiático constante, pela necessidade atroz de nos mantermos bem informados, de nos mantermos ativos. Não fazer nada é uma arte nos dias de hoje.
Não é a internet, a televisão, o papo furado, o sexo, as festas, a bebedeira que vão extinguir seu tédio. O tédio, na adolescência, por exemplo, é uma passagem necessária. Os pré adolescentes sentem-se apáticos e distanciam-se de tudo. Não sentem mais graça no que faziam antes. Com isso distanciam-se de seus interesses infantis e amadurecem para novas coisas.

O tédio da modernidade é perceber a passagem do tempo quando gostamos de ver a vida voar. Da próxima vez que sentir tédio, entenda como uma oportunidade de agarrar o tempo, de exercitar a paciência de parar de rodar como um tonto.
(se não viu o filme, não leia)

Cena do filme Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho
Fiquei inebriado pela beleza das imagens e da música; pela ousadia estética de escapar do lugar comum, de encontrar planos muitas vezes subjetivos para que o espectador vá caçando pedaços e montando a história em sua própria cabeça a partir de fragmentos. No entanto, isso, que muitas vezes é uma qualidade, outras vezes é um problema. O esforço para interpretar o filme atrapalha a compreensão, torna-se enfadonho. O filme fica pesado não pelo conteúdo agressivo e dilacerante da história, mas pela necessidade constante de assimilação interpretação. O cineasta não se preocupa com a didática, isso é tanto uma vantagem, como uma desvantagem. Confesso que no início do filme lutei muito contra ele. Eu assistia já com a necessidade de criticar, de encontrar defeitos. Achei muitas interpretações e muitas vozes em off completamente desnecessárias ou forçadas demais. O tom choroso da voz de Selton Mello me pareceu extremamente teatral em alguns momentos. Acontece que a narrativa forte, o roteiro impactante nascido a partir do livro de Raduan Nassar, inspirado na história bíblica do filho pródigo, arrebatou minhas emoções. Basicamente a trama se resume da seguinte forma: André vive em uma casa de costumes repressivos. Ele sofre por dois motivos, suas vontades (amar e ser livre) são incompatíveis com os desejos conservadores de seu pai. Ele apaixona-se pela irmã e o relacionamento incestuoso o leva ao desespero. Após sofrer uma rejeição dela, não há mais nada que o integre na unidade familiar, tão prezada pelo pai. Até mesmo o amor que ele tem pelos irmãos, pela mãe, pela vida tranquila, esmorece e ele se vê obrigado a partir. A partida é rápida. O primogênito da casa é enviado pela mãe para encontra-lo e traze-lo de volta ao lar. A história se desenrola com calma, o tempo para que as revelações aconteçam é adequado e perfeito para a fluência. E após o retorno de André a sua casa, os irmãos e o pai se revelam personagens ainda maiores do que aparentavam. O momento em que André está na casa procurando por sua irmã e tudo está vazio, a montagem paralela com a infância e a captura do pombo através de uma armadilha, enquanto ele comete o ato de incesto que o levará para longe, é muito poético e cinematográfico. Escapa da característica literária e teatral presente em certos momentos da obra, torna-se cinema de verdade. A cena é bela como poucas vezes se viu no cinema.
Da metade para o final do filme eu pude me entregar para aceitar tudo o que era mostrado. A partir da história do faminto passei a assistir com voracidade.A parábola (dentro da parábola) quebra a linguagem recorrente do filme, e é o momento para que você descanse. Quando ocorre a retomada do ritmo original do filme você já está acostumado com a narrativa diferenciada e pode acompanhar o resto do filme com mais tranquilidade. O choque estético é natural, e benéfico no que se refere a renovação do cinema. Mas é difícil de ser aceito enquanto você não tem uma base de comparação, enquanto não tem a oportunidade de por o pé no chão, sua impressão é de que tudo aquilo pode ser apenas um grande delírio do cineasta (neste caso, ainda bem, não é apenas um delírio, tudo tem seu devido lugar). A parábola do faminto é o momento ideal para que se aceite o restante da história.
Apesar de não se tratar do melhor filme brasileiro, como exageram alguns, é uma obra grandiosa e sem precedentes. Não será esquecido.
Lavoura Arcaica (2001, 163 min) de Luiz Fernando Carvalho. Fotografia de Walter Carvalho.
Elenco: Selton Mello, Raul Cortez, Juliana Carneiro da Cunha, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, Caio Blat
Nascí e vivo em Brasília e nunca soube de enchentes por aqui. Me contaram que recentemente, naa Asa Norte, acontecem várias por conta do entupimento das canaletas. Minha irmã (que trabalha no final da Asa Norte) me disse que uma vez o serviço dela ficou inundado e interditado por uma semana.
O caso do video abaixo é singular, a enchente ocorreu na 102 norte, a aguaceira passou pela pista como se fosse um rio, e um herói surgiu para lutar contra a força da água. Após o incidente, o sujeito corajoso ficou apelidado de Leônidas Fontes, o herói de Brasília. Seu nome verdadeiro é Josymar e ele faz parte da companhia teatral Setebelos. Leônidas salvou um carro da enchente, salvou a vida de uma mulher carregada pela água e ainda virou o centro das atenções neste video viral.
Internautas de plantão, o google inaugurou um novo serviço bem interessante, é o Google Search Wiki. A partir de agora, as buscas feitas pelo Google apresentam resultados com novos ícones interativos. O usuário pode ordenar os sites de sua busca por relevância, elevando-os ou rebaixando-os, excluindo ou adicionando novos sites e pode também fazer comentários públicos sobre os sites, que ficam registrados nas buscas do Google.
Amay, o engenheiro chefe do Google explica melhor: (inglês)
O google tem inúmeras outras utilidades, é o verdadeiro canivete do usuário. Confira algumas:
Busca de blogs: http://blogsearch.google.com.br/
Google dia das mães: http://www.googlediadasmaes.com.br/
Google Maps: http://maps.google.com.br/
Google Latitude: http://www.google.com/intl/pt-BR_br/latitude/intro.html
Gustavo estava sozinho em mais uma noite solitária em Curitiba. O quarto, um cubículo separado do quarto posterior por uma fina parede. O livro na mesa ao lado não era a bíblia, mas uma frase fez Gustavo chorar na noite passada. A frase foi tão contundente que o causou uma assustadora e inesperada catarse. O livro contava as histórias de um jornalista inglês vivendo desventuras em terra alheia. Um livro sobre um homem fútil vivendo só, por dinheiro e diversão. Já no final do livro, quando todas as peripécias já tinham se encerrado, o jornalista fazia suas considerações finais, quando mencionou a frase mais incrível e assustadora. A frase caiu sobre mim com um peso desgraçado. Uma sensação de solidão sem sofrimento tomou conta de todo o meu corpo, que tremeu em constritos espamos controlados, lágrimas brotaram e a catarse ocorreu.
Coelum non animum mutant qui trans mare currant ( Os que atravessam o mar mudam o céu acima deles mas não as suas almas ) - Horácio

Deitado em meu travesseiro, lembrava da noite anterior. Um momento mágico ao ler uma simples frase, e chorar. É curioso a forma como palavras proferidas centenas de anos atrás podem ressonar com tanto poder até hoje. As palavras continham tanta verdade que permanecem vivas, imortais, plenas e atuais. Podem causar tanto impacto quando ditas na hora certa, no momento certo, captadas por uma mente pronta e disposta a aceita-las. Eu era um estrangeiro em terra alheia buscando a modificação de minha essência, buscando uma verdade que não a minha própria, e ao ler aquela frase poderosa percebi o verdadeiro motivo de toda a minha busca espiritual.
Fiéis de uma igreja passaram abaixo da janela “Jesus Cristo é nosso senhor, Amém. Amém. Amém.”. Já estava ficando tarde, o vizinho após a parede desligou o som e foi dormir, o ponteiro das horas caminhou alguns centimetros. Dois pipocos eclodiram do silêncio confortável da rua João Negrão, próximo ao teatro Paiol, da periferia Curitibana. Cada pipoco foi precedido por um clarão. Gustavo se levantou e viu dois homens correndo, um deles carregava uma bicicleta.
Um rapaz de cabelos longos veio caminhando com a mão na barriga: “Eu levei um tiro. Socorro. Alguém me ajuda”.
Certas palavras tem a hora certa para serem pronunciadas. São palavras pesadas, que não devem sair da boca de ninguém quando não se está falando sério: amor é uma delas, socorro é outra…
Socorro. Ele pedia, caminhando já sem forças, alvejado por um tiro no meio da barriga. Gustavo com a testa encostada na janela observou os passos trópegos do rapaz na rua. “Poderia ter sido eu, é um irmão”. A identificação, o amor pelo próximo o obrigou a descer as escadas para acudir a pobre vítima da violência de uma cidade modelo. Há essa hora uma viatura pode demorar até meia hora, existem muitos casos mais urgentes do que um rapaz classe média baleado na boca da madrugada.
Formou-se uma pequena multidão em volta do rapaz atingido. Ele estava deitado no chão, sua mochila ao lado. Um homem estava ajoelhado diante dele: “mantenha-se acordado! Não dorme! Não dorme!”. Se dormir vai morrer.
Jesus Cristo é o nosso senhor. Amém. Amém. Amém. O Grito dos fiéis repercurtia pelas ruas. É o eco do passado. As ruas solitárias. O medo da morte. A solidão. A morte. Os malditos indicadores sociais dizendo quão baixa está a nossa situação. Um tiro na barriga perfurando orgãos vitais. A compaixão de anjos transeuntes. Alguém se importa com você? Leve um tiro na barriga e verá.
Alguém fez a ligação do orelhão. A ambulância demorou para chegar, e quando chegou, o olhar do rapaz já estava fundo, como se estivesse vendo por trás de seus olhos. A fraqueza, a incapacidade de levantar um braço sequer, de jogar para fora dos pulmões o ar suficiente para desenhar um ruído compreensível. No que estarará pensando o futuro moribundo? “O que acontecerá comigo agora? Alguém avisa a minha mãe. Eu amo a minha mãe… preciso dizer isso a ela. Meus irmãos, meu pai, meus avós, minha namorada, minha vida, meu sangue escorrendo, manchando minha camisa branca que usei para não ostentar nenhuma marca. Alguém me salva. Eu quero viver. Desculpa. Pra que tudo isso? Porque eu fui me meter a fazer essa droga de curso de inglês? Os caras fizeram isso por causa da minha bicicleta… porque eu não joguei a bicicleta no chão? Eu estava nervoso, eles também. Eles tinham a pólvora, e eu uma barriga”.
O som do tiro não acordou muita gente. Um cachorro latiu, pouca gente viu. Gustavo tinha uma cama do lado da janela e se levantou para observar os dois pipocos que saíram do cano de aço. No dia seguinte um jornalista se preocupou em publicar uma notinha de 5 linhas sobre a morte do rapaz.
Quando os bombeiros chegaram na cena o rapaz ainda respirava. Eles gastaram um bom tempo checando os documentos do garoto, guardados dentro da mochila. Não deu tempo de salvar a vida do rapaz, tinha que verificar primeiro quem era “quem estamos salvando? Será que estava comprando drogas? Se for, deixa ele morrer”, foi por isso que o “salva vidas” atrasou tanto para colocar as drogas das mãos no volante, e a merda dos pés no acelerador.
No outro dia o grito dos fiéis ainda ecoava pelos becos vazios. Prostitutas, travestis, bandidos e demais seres da noite escutaram as preces: Jesus Cristo, Nosso senhor. Amém. Amém. Amém.
O sangue lavado. A vida prossegue.
Jota e Cumpadi passeando pelas ruas escuras durante a madrugada instigante. O perigo a espreita, a selvageria noturna, tudo é estimulante. Viver de verdade é ter com a coragem na selva urbana, exposto aos riscos. É saber lidar com a manha das ruas, carregar nos ombros o mesmo peso que todo o povo tem, com jogo de cintura para sair de fininho, é saber revidar um murro na cara, de preferência tendo sabido antes se esquivar, é saber controlar a bebedeira para não passar mal, é saber o jeito certo de se prosear para se conseguir o que quer. Assim vive um natural malandro, nascido nas ruas, notívago por profissão.
Olha quem vem chegando, os meganhas com seu carro de preto e branco, fumegando de ódio, carregam uma insígnea valiosa: Vale o direito de ter o poder da humilhação em nome da justiça. São os poliça.
Jota: Tá limpo aí rapá?
Cumpadi: Limpo o caralho. To carregando um baseado dentro da carteira de caretas.
Jota: Não dá mais pra jogar fora essa porra, passa pra cá.
Cumpadi passa a carteira de cigarros pra Jota, que abre a carteira, esconde o baseado na ponta da mão e leva até a boca. Enche a língua de saliva e engole de uma vez só. Desce rasgando.
A viatura se aproxima e para. Depois da habitual “Mão na parede”, o meganha se aproxima. “Que merda é essa que tu botou na boca?”. Era uma baita trouxinha que ninguém mais vai saber da existência. Não tem flagrante. O policial pega a mão de Jota e cheira a ponta dos dedos: “Eu sei que cheiro é esse!”, diz o meganha, “vai passear seu pivete”, e liberam o Jota que sai sem olhar pra trás. Cumpadi sozinho com o meganha sente o bafo podre perto do ouvido “Agora vai ter rapá, porque eu te conheço de outras! Já te vi andando por ai, e hoje tu vai pra cadeia porque sei que tu engoliu um fumo e tá tudo nesse bucho, mas quando sair de dentro das suas tripas, eu mesmo vou providenciar a verificação! Se eu achar um baseado no meio da bosta tu vai levar muita porrada e vai ficar em cana na cadeia pra valer! Por isso, por enquanto vai ficar em cana suave até conseguir cagar essa bosta”.
E assim Jota perdeu o direito de resposta e foi parar no xilindró, uma cela especial que a polícia mantém para leves delitos. Quando cagar, se virem o baseado no meio da merda toda, vai pro buracão, a penitenciária da Papuda do Distrito Federal. Tudo isso porque o cuzão de um policial não foi com a cara de um malandro que viu passar. “Desordeiro, mandrião, pixador, maconheiro”, diz o policial quando vê Jota atrás das grades provisórias, sem apagar do rosto um disfarçado sorriso de quem sabe o que faz, de quem sabe jogar.
E assim passam as horas dentro da cela da Delegacia de Polícia de São Sebastião. A paranóia não perdoa: ”Se eu cagar vão me pegar”. E é aí que o malandro mostra seu potencial.
Jota: Tu veio parar aqui porque?
Dito: Bati na cara do meu irmão. Tú acredita que ele ligou pra polícia? Meu próprio irmão?
Jota: E ai? Tu vai fazer o que quando voltar?
Dito: Vou embora cara. Não sou querido lá em casa. Meu irmão tá me botando pra fora de casa.
Jota: O que tu fez?
Dito: Comi a empregada.
Jota: Tu é um vagabundo mermo!
Cagam de rir, não propriamente defecando. “Vamo fazer silêncio aí dentro que já passam das quatro da madruga e vocês tão pagando pena, caralho!”
Jota: (sussurrando) E vai embora como? Tem grana?
Dito: To com uns trocados ai. Não sei como vou. Quero encontrar com a parentaiada lá de Rio Verde, Goiás. Lá o povo me acolhe bem que só. Ainda servem um porco na brasa pra festejar a chegada, e cachacinha de primeira.
Jota: Tu quer ganhar vinte conto? Juntando com o que tu tem, dá pra pagar a tua passagem.
Dito: Depende pra que.
Jota: Quero pagar vinte conto na tua merda. Quero comprar tudo o que tu cagar hoje.
Dito: Minha merda? Pra que tu quer a minha merda?
Jota: To pagando 20 conto pela merda, faço o que quiser com ela, não é da sua conta! A única coisa que tu tem que fazer, se alguém perguntar, é dizer que é minha! Não vale assumir a obra de arte!
Dito: Ohhh que tá estranho esse papo! Quero 30 conto!
Jota: Fechou. 30 conto. Nem mais nem menos. 30 conto pela merda.
Meio desconfiado, Dito não precisa esperar mais de uma hora. O intestino já estava engarrafado. Caga no chão mesmo, em cima de um jornal velho.
Dito: Taí a princesinha!
Jota fica agachado em cima da bosta como se fosse ele próprio o autor de toda a fossa. Chama o policial e ganha sua liberdade, afinal, depois da verificação não tem nenhuma trouxinha me maconha no meio daquela diarréia. O preço da merda não saiu tão caro, visto que valeu a liberdade de Jota e ainda custeou uma passagem de Dito pra Rio Verde. Quem ficou mal foi o policial espertalhão, os dedos não pararam de feder e nem assim arrumou motivos pra humilhar um mandrião.
No meu último semestre do curso de jornalismo, faço do quarto semestre, por tê-la reprovado, Técnicas de Entrevista e Reportagem. O professor se chama Leandro Fortes, ele escreve para a revista Carta Capital e tem um nome importante no mundo jornalístico. Nas horas vagas ele corrige nossas provas e amedronta nós alunos. Eu mesmo já recebí algumas provas corrigidas por ele apenas para me sentir analfabeto e péssimo profissional, mas valeu o aprendizado, tomei gosto pelo ofício naquela aula. Tomei medo dos “ques” dos “suas” e de outros vícios de linguagem que devo cometer sem perceber. Enfim, semana passada a prova prática foi entrevistar uma jovem e bem sucedida jornalista.
A jornalista carioca Isabel Clemente, repórter da Revista Época na sucursal de Brasília, fala sobre sua experiência para os alunos do quarto semestre de jornalismo do IESB. Com 14 anos de experiência no mercado de trabalho, Isabel fala sobre sua carreira, desde 1995, quando já trabalhava como repórter de economia da sucursal do jornal de negócios e finanças de São Paulo, DCI. Em seu currículo a jornalista, formada pela PUC (RJ), tem passagem por grandes veículos de comunicação como o Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo, além de experiência internacional em Londres, Inglaterra. Isabel fala sobre a relação do repórter com a fonte, sobre seu aprendizado no início de carreira. Entre seus prêmios, constam: Prêmio Onip de menção honrosa, pela matéria De comprador a vendedor; Prêmio Caixa de jornalista impresso pela reportagem Elas morreram de parto e o Prêmio Alexandre Adler de jornalismo em saúde pela matéria Aborto: Sim ou não?.
Como foi seu aprendizado no início de carreira?
Quando estava começando, conheci o repórter José Roberto de Alencar (falecido em 12/06/2007), ele era da velha guarda do jornalismo, era doidinho. Fazia aquele tipo de jornalista em extinção que fica com um cigarro do lado e uma maquina de escrever. O jornalismo para ele era apurar e escrever. Foi meu padrinho profissional. Através dele eu percebi que havia todo um mundo por trás do jornalismo. Além disso, fiquei 15 dias em treinamento intensivo na Folha de S. Paulo, lá os jornalistas foram me mostrando, cada um a sua maneira, sobre como é o jeito de se trabalhar. Quando entrei para a Folha, fui muito cobrada durante os quatro anos que estive lá. Eles tem um manual de redação muito rígido, e por ter começado na editoria de economia, fiquei muito detalhista na apuração, você lida com números não pode cometer erros. Minha fama é de que eu nunca paro de apurar, nunca.
Como é a sua relação com as fontes?
A sua grande bagagem, ao longo da carreira, é a agenda telefônica e o conhecimento. A relação com a fonte tem que ser muito cuidadosa. Eu sempre ouvi dizer: “Em Brasília a relação com a fonte é muito promíscua”. Em um dia você entrevista alguém, no outro dia encontra a pessoa no restaurante e fica naquele impasse, se precisar ligar para a pessoa para fazer uma pergunta séria. Mas eu não tenho uma fonte só, o importante no jornalismo não é saber a informação, é ter o telefone de quem sabe. Eu conheço alguns arapongas (gíria para aquele que investiga, que fareja a informação e espiona), advogados, economistas, com estes eu bato um papo, vou almoçar, mas não gosto de intimidade física. É saudável essa distância entre repórter e entrevistado.
Ser mulher impõe alguma dificuldade ao trabalho?
Atrapalha um pouco. Uma vez, por exemplo, fui ao acampamento do MST com o fotógrafo e de repente todo mundo sumiu. Fiquei cercada daqueles homens, com as crianças se aproximando, puxando a minha roupa. Se eu fosse homem não me sentiria constrangida nessa situação. Mas nunca fui assediada. Aqui no congresso já presenciei situações diversas. Tive um chefe que dizia “você precisa bater muito neles até ganhar respeito”, mas eu penso diferente, você precisa de uma postura de seriedade para ser respeitado.





















